Sicário: Dia do Soldado

Sicário: Dia do Soldado

Em 2015, o diretor Denis Villeneuve (Blade Runner 2049) nos apresentou a crueza da guerra às drogas através da percepção de uma idealista a gente da FBI encarnada por Emily Blunt (Um Lugar Silencioso). O requinte na composição das suas cenas, deixando a narrativa mais contemplativa – que tornou-se sua assinatura – e fugindo dos clichês do gênero, trouxe um frescor ao roteiro de  Taylor Sheridan, tão caro a temáticas mais policialescas como Terra Selvagem e A Qualquer Custo.

Sicário: Dia do Soldado tem como seu principal inimigo o seu progenitor.

Essa sequência é o anti-Villeneuve, pois todos os clichês que são refutados  pelo primeiro diretor  canadense são abraçados por Stefano Sollima, que é o responsável por recepcionar o retorno dos personagens de Josh Brolim (Deadpool 2 e Vingadores – Guerra Infinita) e Benicio Del Toro (Star Wars: Os Últimos Jedi).

O diretor responsável por Suburra – o filme de 2015 e a série hoje na Netflix – captura planos que parecem saídos de uma cinemática de Call of Dutty, bem convencionais para o gênero, e o que o trai é que antes houvera um filme muito mais elegante. O roteiro de Taylor e as atuações seguram o filme, embora a condução da trama passe por caminhos bem tortuosos e não há uma entrega satisfatória do resultado. Aliado a isso, é notório que o filme poderia ser tranquilamente mais enxuto, facilitando o diretor e os demais a trabalhar em demais aspectos. E ainda, com tanta gordura, o terceiro ato do filme é demasiadamente longo – o trecho de Benício precisava ter tanto tempo para comprarmos a agonia do personagem?

A trilha é pouco inventiva e nada demarca na trama, deixando o espectador perdido: o que ela quer invocar? O que aconteceu que eu perdi? Bom, nada mesmo. A grande força está nos personagens de Brolin e Toro; Josh mantém a visão cínica de Matt Graver e da consciência do seu papel onde trabalho sujo faz parte. Mas há uma mudança de paradigma no papel, com uma luz de otimismo. O Alejandro de Benicio também destoa um pouco do já apresentado no primeiro filme, com toques menos sombrios e misteriosos, mas ainda imprime nervosismo em suas cenas mais pesadas.

Em suma, Sicário: Dia do Soldado tem como seu principal inimigo o seu progenitor, mas isso não o isola de demais problemas. E ser apenas bom não é o suficiente, fadando-o ao esquecimento.

Edgar Santos
Escrito por Edgar Santos

Editor do site Cinemáticos, diretor de arte, leitor de HQs e fã de Blaxploitation.

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Sicário: Dia do Soldado


PAÍS: EUA
CLASSIFICAÇÃO:
DURAÇÃO: 122
ESTREIA: 14 de novembro de 2018
DIREÇÃO: Stefano Sollima
ELENCO: Josh Brolin, Benicio Del Toro, Matthew Modine
SINOPSE: Um seguimento para o filme de 2015, "Sicario", que se centra em torno da guerra crescente contra as drogas ao longo da fronteira dos Estados Unidos e do México.