O Paradoxo Cloverfield

O Paradoxo Cloverfield

Por tempos, o projeto que daria sequência a inusitada franquia de J.J.Abrams e sua produtora, a Bad Robot estava envolta pelos mesmos mistérios que circulavam suas criaturas. Inicialmente subtitulado como “Partícula de Deus”, a produção tinha indícios que a sua distribuição cairia nas mãos da Netflix, e eis que em pleno Super Bowl 2018, a empresa de Ted Sarandos não só apresenta o trailer, mas deixa seus concorrentes a comer poeira demonstrando a força que o streaming tem em como um passe de mágica estar presente em milhares de lares.

Paradoxo Cloverfield é aquela surpresa que você não estava esperando, mas ao abrir o pacote, percebe que são meias.

Essa nova imersão no mundo bizarro de Cloverfield explica como aconteceram os eventos do primeiro filme e amarram o segundo episódio (ou separam os três, dependendo de que realidade você trata). Aqui, o espectador é posicionado na trama de forma bem prática: apenas três linhas de diálogo bastam. Depois somos apresentados ao casal que protagoniza a ficção científica: a oficial Hamilton (Gugu Mbatha-Raw, a Kelly do episódio San Junipero em Black Mirror) e seu esposo Michael (Roger Davies). Kelly é membro de uma expedição internacional afim de fazer com que um reator gere energia para o mundo (composto por integrantes da Rússia, China, Alemanha, Itália, EUA e Brasil). E os sete membros, ao conseguirem fazer que o reator funcione por tempo limitado, desencadeiam uma série de eventos estranhos.

O maior projeto até hoje do diretor nigeriano Julius Onah tem como maior referência a obra de Ridley Scott, Alien (1978): é possível ver as inspirações tanto no design interno da estação com suas formas octogonais nos corredores, no figurino com os uniformes criados por Colleen Atwood e pela escolha de takes pelo diretor onde o momento das minhocas é abertamente inspirado na cena de apresentação do chessbuster.

Além de acidentalmente singrar – e arrebentar – o espaço-tempo, o filme torna-se campo para um mar sem fim de estranhezas e prato cheio para o horror como se os personagens pilotassem o gerador de probabilidades infinitas de O Guia do Mochileiros das Galáxias – e não duvidaria se realmente for uma homenagem. Porém, mesmo com um livro aberto para proporcionar momentos de terror, o filme não o faz de forma competente quando os personagens não conferem peso emocional, como Schimidt (Daniel Brürhl, de Capitão América Guerra Civil, funcionando no automático) após a morte de sua namorada Tan (Ziyi Zhang).

Em paralelo, há a história de Michael, que esconde-se em um bunker, criando a ligação com Rua Cloverfield, 10, mas só por uma questão de conveniência, já que o esconderijo é diferente do visto no segundo filme.

Bonito, porém estranho nas suas decisões de roteiro, Paradoxo Cloverfield é aquela surpresa que você não estava esperando, mas ao abrir o pacote, percebe que são meias. Tá, meias são úteis, mas quem gosta de receber meias de surpresa?

Edgar Santos
Escrito por Edgar Santos

Editor do site Cinemáticos, diretor de arte, leitor de HQs e fã de Blaxploitation.

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O Paradoxo Cloverfield


PAÍS: EUA
CLASSIFICAÇÃO:
DURAÇÃO:
ESTREIA: 27 de Maio de 2018
DIREÇÃO: Julius Onah
ELENCO: Elizabeth Debicki, Daniel Brühl, Gugu Mbatha-Raw
SINOPSE: Após um experimento científico a bordo da estação espacial envolvendo um acelerador de partículas tem resultados inesperados, os astronautas se acham isolados. Após sua horrível descoberta, a equipe da estação espacial deve lutar pela sobrevivência.