Making Fun: The Story of Funko

Making Fun: The Story of Funko

Tempos atrás eu vi/li em algum lugar o método Disney de criação de personagens: para os maus, olhos apertados, miúdos  e feições esguias; enquanto para os bons, olhos grandes e expressivos. Acho que era mais ou menos assim.

Pula para 2010: é lançado pela Funko, uma bem sucedida empresa de bobbleheads (aqueles bonecos que as cabeças são ligadas ao corpo por molas e eles tremem ao tocarmos), a linha “Pop”, que reorganiza toda a sua cadeia de produção e transforma uma empresa com público majoritariamente masculino em mundialmente plural. Só eu tenho cinco deles aqui em casa.

A produção funciona muito bem para um evento de fim de ano da empresa

Meu maior susto é como uma empresa de 1998 criada por Mike Becker e Rob Schwartz, relativamente nova, surfou tão habilmente na cultura pop vigente e, através da nostalgia, cooptou tantos amantes dos seus bonequinhos cabeçudos com grandes olhos (muitas vezes) pretos. E o documentário dirigido por David Romero explica boa parte desse movimento, embora seja cegamente atraído pela fascinação que os brinquedos criam nas pessoas. E isso torna-se um problema.

É difícil não ver que o doc é feito por um fã da empresa: pelo tom mágico e nostálgico e a redução dos problemas que a Funko encontra no caminho (só duas linhas são citadas sobre algum percalço). A produção funciona muito bem para um evento de fim de ano da empresa, porque não tem como não elevar a moral de qualquer funcionário ao ver os depoimentos dos funatics (como são chamados os colecionadores dos produtos Funko).

Só que o doc se apega demais na vida de fãs, como se tivesse pena de cortá-las na sala de montagem. O resultado: alguns depoimentos são repetitivos e acabam com a estrutura narrativa do desenvolvimento que era criada desde o primeiro ato. Chega a ser enfadonho, ainda mais acompanhado de uma óbvia trilha de piano para forçar a ser mais emotivo do que é. Tava já esperando muito o tema de Forest Gump tocar, mas não obtive sucesso. O mesmo ocorre no terceiro ato, onde acabam com o clímax da abertura da sede no local onde nasceu com mais momentos de fãs, tornando o fim arrastado.

O diretor e sua equipe por muitas vezes viajam para determinados locais do mundo (e dos EUA) para apresentarem fãs felizes que acrescentam pouco ao documentário, exceto de que são muito felizes e tem milhares de itens que remontam seu tempo de criança. Acrescente a isso momentos interessantes que entram de modo quebrado na narrativa, como a imersão no setor de design, tão importante e encaixado com desleixo entre uma entrevista ou outra de algum fã.

Mas nem todos os comentários são ruins: principalmente quando alguns artistas de outrora como Elvira, Alice Cooper, Lou Ferrigno, Walter Jones e Jason David Frank entre outros se espantam com o estranhamento e felicidade em ter sua versão miniaturada e como a criação destas é um reencontro com gerações. Destaque para a entrevista do lendário skatista Tony Hawk, captada enquanto ele pedia mudanças em seu modelo e surge um interessante debate sobre a dicotomia entre pessoa e personagem na peça em questão.

Os melhores pontos provém das falas do novo CEO, Brian Mariotti, onde dá para captar mais a mentalidade por trás do negócio, principalmente no período citado lá no topo, 2010, onde o modelo que quebrou paradigmas da empresa foi criado. Pena que seja breve.

Com uma história divertida, porém sem a visão crítica que poderia ter, Making Fun funciona muito bem como material publicitário da Funko. Fico insatisfeito de não ver os espinhos desse aparente mar de rosas; no entanto, havendo possibilidade, vou comprar mais bonequinhos sim.

Edgar Santos
Escrito por Edgar Santos

Editor do site Cinemáticos, diretor de arte, leitor de HQs e fã de Blaxploitation.

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Making Fun: The Story of Funko


PAÍS: EUA
CLASSIFICAÇÃO: Livre
DURAÇÃO: 99
ESTREIA: 14 de agosto de 2018
DIREÇÃO: David Romero
ELENCO: Jeff Ayers, Eric Bauza, Chris Beck
SINOPSE: Mergulhe em um mundo de diversão e colecionismo com este documentário que segue a criação e o impacto do bem-sucedido império da Funko.