Jogador Nº 1

Jogador Nº 1

É difícil fazer uma crítica séria de uma chicana/chacina cinematográfica como Jogador Nº 1.

Baseado num livro cretino cuja função principal é servir de crack para nerds que se equivalem a junkies desdentados prostituindo-se por referências a qualquer coisa que amem/já amaram e que lhes tragam de volta ao estado de estupor infantil dos anos 80/90, a adaptação cinematográfica do mestre Steven Spielberg lembra um velho punk que após anos trabalhando num escritório, engravatado e escutando apenas Madonna e Brahms, volta a gritar por anarquia. Verdade seja dita, caso essa analogia punk sirva sem ser totalmente ridícula, o cineasta está mais para um Johnny Rotten que admite que só quer dinheiro para reformar o Sex Pistols sem talento que um G.G. Allin que morreria coberto de merda num palco por prazer.

Por um segundo eu tive pena em falar tão mal de Steven Spielberg. Até lembrar que ele também produziu Transformers.

Sobre o que é o filme? Um jogo de realidade virtual merda com uns avatares horrendos que vão envelhecer horrendamente. No meio disso tudo, pornostalgia com Godzilla e um Tiranossauro Rex, referências babacas a jogos dos anos 80, um elenco desperdiçado e uma vontade insuportável de agradar, ao ponto de uma mão praticamente sair da tela e começar a te masturbar ao som de jogos 8-bit, com um visual cheio de atenção a detalhes, mas de design que nunca deixa de mergulhar no ridículo.

Não percamos tempo falando de atores, personagens, construção de roteiro. Aqui a lógica vai além do comercial. Se essa trolha se chamasse Branding – O Filme ainda seria um eufemismo leve para o arrombamento de orifícios feito em nível industrial que é Jogador Nº 1. Talvez a maior marca em evidência aqui seja o próprio Spielberg, aos 71 anos de idade, quase um físico de QI cinematográfico elevado construindo um vulcão de papelão para que seu neto ganhe 10 no projeto da high school. E ao ver sua brincadeira com O Iluminado eu não posso desejar outra coisa que não a morte do realizador, precedida de um sincero pedido de desculpas pelo sacrilégio aqui cometido. Sério mesmo, vai se foder.

Vá se foder você também aí, feliz em capturar as inúmeras referências jogadas de forma completamente aleatória na tela como se fosse a porra de um Pokémon. Você tem que morrer pro bem da raça humana.  Vá se foder você que não reconhece o ridículo de um filme genérico que se fosse dirigido por qualquer vagabundo de 40 anos de idade que não tivesse dirigido um E.T. ou um Jurassic Park você nem estaria dando a mínima. Vá se foder só por que eu quero que você se foda mesmo. Viu como é bom quando é uma bosta aleatória qualquer jogada sem motivo nenhum? Vá se foder.

Jogador Nº 1 serve para lembrar que atingimos o ápex do adulto infantilizado, aquele que faz cosplay aos 55 anos de idade, aquele que bate no peito pra dizer que é nerd, que coleciona action figures e em momentos íntimos deve fazer coisas impensáveis com esses pobres brinquedos. É um momento histórico, no qual Spielberg apenas meses depois de fazer um bom filme para pessoas sensatas chega surrando o botão do foda-se, numa trama em que qualquer merda acontece, onde o autor da obra original é um merda descompreendido e/ou um diretor veterano parece ter desaprendido que as regras de jogos inúteis pensados há décadas não funcionam nem para começo de conversa num cinema que se leve minimamente a sério.

Não vale exaltar talento técnico quando é em função de algo tão infame. Esse é o lugar que o cinema foi pra morrer. Num DeLorean. Com um robô Gigante de Ferro. Com qualquer desgraça que você jogue na tela pra satisfazer o rebanho de prostituídos agonizando por cultura geek. Não precisa mais do papinho de young adult em futuros dominados por máquinas e corporações malvadas.

A distopia já chegou e os imbecis estão no comando, chacoalhando felizes com um filete de merda escorrendo pelo canto da boca.

Felipe Franca
Escrito por Felipe Franca

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Jogador Número 1


PAÍS: EUA
CLASSIFICAÇÃO:
DURAÇÃO:
ESTREIA: 16 de outubro de 2018
DIREÇÃO: Steven Spielberg
ELENCO: Tye Sheridan, Olivia Cooke, Simon Pegg, Michael Rylance , T.J. Miller e Ben Mendelsohn
SINOPSE: O filme se passa nesse futuro distópico quando o criador do jogo de realidade virtual OASIS morre, e deixa um vídeo testamento desafiando todos os competidores do OASIS a encontrar easter eggs no jogo que levarão à sua fortuna. Wade Watts (Tye Sheridan) encontra a primeira pista e inicia uma corrida de vida e morte contra cinco outros oponentes pela herança do bilionário.