Gaga: Five Foot Two

Gaga: Five Foot Two

A primeira cena de Gaga Five Foot Two é bem emblemática no que diz respeito aos 100 minutos que virão a seguir: uma visão das pernas da artista, pendurada com um certo humor negro, como se a mesma estivesse enforcada, para segundos após os cabos a erguerem para o topo do NRG Stadium, afim de gravar seu icônico show no intervalo do Super Bowl, evento-mor no esporte dos Estados Unidos que decide o vencedor da temporada no futebol americano.

E o filme apresenta essa vida da performer, sempre no limite: a direção de Chris Moukarbel capta oito meses da vida de Stefani Joanne Angelina Germanotta entre a produção do seu quinto álbum, Joanne, e culmina na apresentação. E se você estranhou o nome real da Lady Gaga, possivelmente estranhará o documentário. Aqui vemos mais Stefani do que aquelas parafernalhas e impactos visuais que fizeram a fama da artista: vemos Gaga com suas intensas dores devido à fibromialgia  – que justificam por demais o cancelamento do show no Rock’n’Rio 2017 – seus problemas com relacionamento, gravações de American Horror Story, família, estúdio, clips e tudo o mais.

Sensibilidade e sutileza são as verdadeiras receitas da harmonia.

O que poderia ser a força do documentário para muitos é sua fraqueza: ao apresentar a Gaga despida de sua estética – que casa com o que ela pretendeu para seu álbum, mas foge brutalmente da arte que vendeu o filme – torna-se um documentário metódico que abrangeria qualquer artista; e que poderia vir junto com o CD, que com certeza seu impacto seria maior. Embora o doc tente ser tão intimista quanto ao álbum, ele peca por não dar tempo para entrar na alma de Gaga: não é o bastante ouvir da atriz “eu estou triste”, mas como manifestar isso através de um take? De uma montagem? Sei que parece sensacionalista ao ler – o que é de bom tom fugir – mas é só lembrarmos de produções como. Amy, Little Girl Blue (sobre Janis Joplin) e What Happened, Miss Simone? para vermos que sensibilidade e sutileza são as verdadeiras receitas da harmonia.

Com uma produção não inspirada, só a vida de Gaga que segura: os desabafos sobre estar sozinha e que o seu trabalho a consome – e seus relacionamentos vão junto – lembra muito a gravação de Janis Joplin apresentada no documentário de Amy Berg citado anteriormente. Outro grande problema é o final anti-climático, onde Gaga fala sempre do “evento da sua vida” para no final não apresentarem. Com vários deslizes, entende-se que Five Foot Two tenha mais de Stefani. Mas talvez fosse muito melhor se tivesse um pouquinho mais de Gaga. E menos dispensável.

Edgar Santos
Escrito por Edgar Santos

Editor do site Cinemáticos, diretor de arte, leitor de HQs e fã de Blaxploitation.

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Gaga: Five Foot Two


PAÍS: EUA
CLASSIFICAÇÃO:
DURAÇÃO:
ESTREIA: 12 de dezembro de 2017
DIREÇÃO: Chris Moukarbel
ELENCO:
SINOPSE: Este documentário apresenta os bastidores da estrela pop Lady Gaga enquanto ela lança um novo álbum e se prepara para o show do Super Bowl.