As Bem-Armadas

As Bem-Armadas

Os filmes de buddy cop  já são consolidados no universo cinematográfico americano: desde No Calor da Noite (The Heat of the Night – 1967) até As Bem-Armadas, filme que traz esse gênero novamente aos cinemas, seguindo a mesma fórmula sem pestanejar, mas focando no público feminino.

Ashburn (Sandra Bullock, de Gravidade) é uma competente oficial doFBI, mas atrás de suas qualificações também está uma mulher arrogante e exibicionista.  Ao tentar resolver um caso em Boston que pode garantir sua promoção, ela topa com a oficial Mullins (Melissa McCarthy, de Missão Madrinha de Casamento-2011), uma policial ortodoxa cujo conhecimento das ruas é inestimável. Agora elas terão que trabalhar juntas para solucionarem o crime.

O roteiro segue o mesmo esquema de qualquer filme do gênero: personagens obrigadas a trabalhar juntas, brigam, brigam, brigam, se gostam, são desmoralizadas perante todo o efetivo, dão a volta por cima e solucionam o caso (com um traidor sempre no meio da história). Até algumas cenas soam emblemáticas, como a discussão entre as policiais na frente de um interrogado e a clássivca cena de interrogar um suspeito de ponta-cabeça no topo de um prédio. O único adento é a ideia de promover um pano de fundo para as personagens para entender suas motivações.

Paul Feig (que trouxe uma galera do filme Missão Madrinha de Casamento para este projeto) demonstra uma simplicidade na direção: leve, tranquila e com uma visão bem direta. O interessante é que assim como o bromance de Missão…, as personagens não abandonam sua feminilidade apesar do roteiro seguir uma linha já estabelecida: Ashburn apresenta-se como uma ameaça à virilidade dos seus parceiros pela competência assim como Mullins pela agressividade que, mesmo sendo uma característica relacionada ao universo masculino, é embalada por uma liberalidade feminina (a personagem demonstra uma grande abertura com relação aos seus seus parceiros e em certo momento parodia respostas masculinas para um fora, como “o problema sou eu, não você” de forma ditada e canastrona). Talvez tenha sido esta sacada do roteiro que tenha seduzido o diretor para o projeto.

A Direção de Arte preocupa-se em ser atemporal, não colocando itens no cenário que denunciem a época retratada, porém a Fotografia de Robert Yeoman utiliza filtros amarelados para transmitir a sensação de filme antigo, além dos créditos de abertura que lembram a pegada de filmes negros da década de 70, como Shaft. A trilha, por muitas vezes grovada de Michael Andrews, auxilia na ambientação. A montagem prejudica em alguns momentos, como uma sequência de bebedeira no bar, que renderia muito mais risadas se fosse mais curta e mais intensa.

Não pode ser o filme mais engraçado do gênero, mas acende uma luz para algo de novo que pode surgir nessa revisão.

Edgar Santos
Escrito por Edgar Santos

Editor do site Cinemáticos, diretor de arte, leitor de HQs e fã de Blaxploitation.

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As Bem-Armadas


PAÍS: EUA
CLASSIFICAÇÃO: 14
DURAÇÃO: 117
ESTREIA: 19 de janeiro de 2019
DIREÇÃO: Paul Feig
ELENCO: Sandra Bullock, Michael McDonald, Melissa McCarthy.
SINOPSE: Policial do FBI é transferida para outra jurisdição e é forçada a manter uma parceria com outra policial de métodos pouco ortodoxos.