Orange is The New Black – 5ª Temporada

Orange is The New Black – 5ª Temporada

[SPOILERS]

Ainda ecoa na minha mente um dos diálogos iniciais ditos à Piper Chapman (Taylor Schilling) por uma das agentes da penitenciária de segurança mínima de Lichfield, na primeira temporada de Orange is The New Black, “Isso aqui não é OZ”, em uma clara referência a icônica série exibida pela HBO também passada numa prisão (desta vez, de segurança máxima e masculina).

Depois de um fim de quarto ano acachapante, a série realmente fez juz ao que foi predito, então: bem-vindo/a/e a sua pior temporada.

Porque afirmo isso: bom, OITNB sempre singrou entre a comédia e o drama embora tenha apertado na segunda instância no ano anterior. A iniciativa de manter-se em sua zona de segurança fez com que a série perdesse a chance de trabalhar ainda mais a crítica social feita sobre o sistema penitenciário americano, e ainda quis equalizar o peso de uma morte com momentos estranhos afim de resgatar o tom agridoce em um momento que não dava oportunidade.

A estrutura da série movida por flashbacks estruturando a linha de raciocínio dos personagens continua, mas houveram ideias ousadas, como, por exemplo, compilar nos doze episódios os três dias de rebelião motivados pela morte da detenta Poussey (Samira Wiley, de The Handmaid’s Tale) e a continuação do uso assertivo da Piper “protagonista” como guia para onde a série deve focar, já que suas tramas não deixam de ser insossas, inclusive a desta temporada. Os problemas surgem no apagamento da personalidade de alguns papéis (sim, Kate Mulgrew, estou olhando para sua Red), além da surrealidade de certos momentos que tornaram a nova temporada uma hidra de ideias desconjuntadas.

Outra característica de OITNB é guiar todos os personagens através de uma litania, e as consequências dos atos é o tema que envereda. Aqui é justo dizer que Taystee (Danielle Brooks) foi o elemento principal da série em assumir a responsabilidade de conduzir as negociações e engolfar as exigências em uma busca – justificável, mas imprudente – de justiça. Atuando próximo, o núcleo negro deslocou-se mais da responsabilidade do tom humorístico e tomou as rédeas das negociações das detentas – é de bom tom salientar que muitas vezes o humor perpetrado pelas atrizes Adrienne C. Moore (Black Cindy), Vicky Jeudy (Janae Watson) e Amanda Stephen (Alison Abdullah) tinham um viés crítico perpassando até em conflitos Israel / Palestina, ao contrário da dupla de junkies que assemelha-se a uma versão feminina da clássica dupla de maconheiros Cheech e Chong.

Voltando a Red, não existe o porquê de encher de barbitúrico uma das personagens mais interessantes da série para reforçar algo que já foi apresentado anteriormente: sua obsessão – é só lembrar da galinha de temporadas anteriores. Sobre o vilão da temporada, Piscatella (Brad William Henke), embora seja mais tridimensional que Vee (apresentada na segunda), pontua um dos piores episódios, com um ar de slasher movie oitentista. E acaba morto de forma irônica, porém anti-climática.

O final da série lembra uma versão gigante do acontecido com Piper em sua breve mudança de ares na segunda temporada, e aparenta um certo modo de resolver os conflitos de agenda do casting – o único motivo que pode justificar o sumiço de Laverne Cox, presente em breves cenas e com o plot da solitária obliterado.

Com a rebelião terminada no último episódio, a única que falta ser aplacada é a do tom, estranho e decepcionante ao constatar que a série ainda equilibra-se de forma canhestra ao tentar sair de sua plenitude. Esperemos a nova temporada.

Edgar Santos
Escrito por Edgar Santos

Editor do site Cinemáticos, diretor de arte, leitor de HQs e fã de Blaxploitation.

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