Lights Out: Rocky 2.0

Lights Out: Rocky 2.0

Em Janeiro de 2011 estreou no canal americano FX a série de drama / esporte chamada Lights Out, que não teve tanta audiência e foi cancelada com um final honroso, pelo menos. O alto escalão da emissora sentiu o cancelamento, atestando que o que faltou sintonia entre o programa e o público. Mas a boa surpresa é que a série apareceu na Netflix em julho de 2013.

A trama foca em Patrick “Lights” Leary (Holt McCallany), um boxeador na casa dos 40 anos (idade avançada para o esporte) que há cinco anos atrás perdeu de modo injusto o cinturão de campeão dos pesos pesados para Rick “Death Row (Corredor da Morte)” Reynolds (Billy Brown, de Dexter e The Following), oponente mais novo e que fora diagnosticado com indícios de demência pugilística, o que muitos jogadores de futebol americano sofrem durante anos a fio tomando pancada na cabeça.

Desde então, Lights vive da grana que conquistou durante os anos de atividade e colhendo os louros da sua vida com publicidade, cuidando da sua esposa Theresa (Catherine McCormack), residente de medicina e das suas três filhas, a caçula Katherine (Lily Pilblad), a inteligente e focada irmã do meio Daniella (Ryann Shane), e Ava (Meredith Hagner), uma garota fútil e despreocupada com o seu futuro.

Patrick também convive com o seu pai e antigo treinador, Robert (Stacy Keach, de Prison Break), seu irmão e agenciador Johnny (Pablo Schreiber de Orange is The New Black) e sua irmã Margaret (Elisabeth Marvel), dona de uma lanchonete. Mas tudo muda após um investimento malfadado, que coloca a família Leary em falência e Patrick novamente terá de colocar suas luvas para prover a família – e reconquistar o título de outrora.

Apesar de ser suspeito falar de boxe – um dos esportes que mais admiro e que influenciaria na minha opinião – Ligths Out copia muita coisa da franquia Rocky, mas com  frescor, como incidência da mídia que é tão mal explorada no quinto filme. Na série vemos a influência de Barry K. Word (muito bem interpretado por Reg E. Cathey, o Frankie de House of Cards) – uma espécie de Dana White dos boxeadores – que conduz seus lutadores como peões. A ascendência pobre irlandesa/americana da família Leary (os Balboa eram ítalo/americanos), um oponente que representa a dureza dos EUA (Apollo “Doutrinador” e “Corredor da Morte”), e até a enfermidade (que chega a ser semelhante ao que o personagem de Stallone passa). A série também não toma muito partido das atitudes dos personagens, trabalhando em tons de cinza: todos erram, tem vaidade, mas é possível solidarizar-se com grande parte dos atores (isso quando não são apenas funcionais).

Mas a série também não é só maravilhas, claro: a colocação em segundo plano das mulheres da série é uma problemática; a premissa do canal FX sempre foi o público masculino, assim como entende-se o orgulho do protagonista em manter suas quatro mulheres, mas a importância de todas elas na trama como um todo, infelizmente, é mal explorado (deve ser por isso que o filme de Clint Eastwood, Menina de Ouro, choque tanto).

Outra coisa que me deixou muito feliz é o respeito pelo boxe e a comparação do momento atual do esporte com o protagonista: sendo engolfado pela admiração do MMA, a visão do como negócio, e – porque não – a teatralidade (que o MMA também soube aproveitar bem). Eu creio que a história não daria brecha para uma série tão longa caso vingasse, mas para quem curte o esporte e sente-se órfão por algo sobre boxe, essa é uma boa pedida.

Edgar Santos
Escrito por Edgar Santos

Editor do site Cinemáticos, diretor de arte, leitor de HQs e fã de Blaxploitation.

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