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Publicado por: Edgar Santos | Publicado em 08 jun 2017 | 0 comentário

Designated Survivor – 1ª Temporada

Bom, o que falar de Designated Survivor, esse drama político da ABC e distribuído pela Netflix semanalmente?

De forma inicial, mas ainda chocante, posso falar que a produção dá a volta em algo que seria clichê e limítrofe ao guilty pleasure. Designated mergulha no thriller político atual, mantendo ares de séries da virada de 1999/2000 e mesmo com esse ar antigo reciclado, consegue ser dinâmica e palatável  do jovem fã de Breaking Bad até o pai que via The West Wing. A premissa é um tanto absurda na concretização, mas não menos improvável depois do 11/09: após um atentado terrorista, o capitólio é explodido e 99% dos políticos e senado (incluindo o presidente dos EUA) são obliterados. Na extensa linha de sucessão de governante sobra o secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano Tom Kirkman (Kieffer Sutherland, nosso eterno Jack Bauer). Para ocupar a posição de líder da nação, o sobrevivente designado contará com a ajuda de sua Conselheira Especial Emily (Italia Ricci, de Supergirl), o Secretário de Imprensa da Casa Branca Seth (Kal Penn, de Harold & Kumar) e o futuro chefe de gabinete, o ambicioso Aaron (Adan Canto, de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido).

Por outro lado, participam da cruzada afim de encontrar os terroristas, a obstinada agente do FBI Hanna Wells (Maggie Q, da série Nikita) e seu outrora Diretor Jason Atwood (Malik Yoba, de Empire), o que – como sempre – percebem que há algo muito maior acerca do atentado – pensou que iria escapar de uma teoriazinha da conspiração, hein?

Em um panorama real com Trump dirigindo o país, Designated torna-se um comparativo idealista e totalmente oposto às atitudes do presidente republicano, começando pela posição democrata que o protagonista assume. Kirkman é um homem incorruptível, apegado à família e que luta não só pelo temor de estar num cargo que nunca supôs estar, mas de divergir muitas vezes dos processos que se esperam de um presidente, arriscando-se em prol do povo. Essa hombridade é vista na arquitetura da Casa branca, onde a série se passa em boa parte: as estruturas são claras, tudo bem iluminado contrastando com o peso e a frieza de House of Cards, outra série que tem o mesmo palco e tudo é mais pesado e frio. Aliado a isso, está a escolha de Kieffer como protagonista, que atua bem ao esbanjar carisma e respeito necessários ao personagem: dualidade interessante ao lembrarmos que o seu icônico Jack Bauer de 24h, representava uma persona mais dura frente a uma realidade pós-terrorismo. Esse vislumbre de otimismo visto em Kirkman é determinante para sua criação.

A retidão da série é espelhada também pelos personagens que orbitam e os temas políticos abordados: Kirkman tem personagens etnicamente plurais ao seu redor, e todos de relativa força, tanto que muitas vezes funcionam como empurrão para enfrentar as dúvidas que o cercam, problemáticas indispensáveis para apagar os incêndios diários da Casa Branca e reestruturar todo o governo. Os temas são comumente cutucadas no atual governo, como o impedimento de muçulmanos à entrada no país – que não foi elaborada dessa forma, mas de um modo bem semelhante.

A série tem soluções de roteiro acopladas em clichês, o que incrivelmente não torna-se um demérito, pois a equipe sabe utilizar os argumentos de forma coesa e natural – tá, um tanto safada em “cliffhangers” (aqueles momentos que a série termina de forma tensa e a conclusão só é dada no episódio anterior). Forçadas existem, mas não atrapalham o desenrolar da trama – o chefe da segurança pessoal Mike (LaMonica Garrett, de The Last Ship) mostra-se como um exímio hacker só com uma linha de diálogo porque o roteiro precisava de um no momento.

Apesar da inocência apresentada ao compararmos com tempo atuais mais sombrios, a série se leva a sério e sempre deixa claro seu viés idealista auxiliado por uma trilha ufanista que deve fazer qualquer estadunidense levantar-se e pôr a mão direita no peito em sinal de respeito.

Renovada para uma segunda temporada e com uma ameaça escalonada a nível mundial, Designated Survivor apresentou-se nessa primeira temporada como o pingo de otimismo que várias sociedades, soterradas por corrupção, dramas e pessimismo latente precisam para resistir um pouco mais e crer num amanhã.

ABC / Designated survivor / drama / Política / séries / tv

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